Doce Lago Rio Guaíba – Juvenal Jorge Dal Castel

Vem, amiga, pro lago de cá, que eu te mostro
O velho rio, que hoje, lago assim se chama.
O doce lago riu do nome e não reclama.            
Gente, luzes, Sol e Lua ,espelho vivo d’água em chamas.
Porque um gaúcho da cidade, morando em apartamento,
Com seus cavalos na garagem, também em confinamento,
Solta a cincha e vai pro parque pra caminhar  bem faceiro
Com o amargo que se dissolve no  porongo de água quente.

Meu bem, eu vou te mostrar o lago doce Guaíba.     
Vem que eu vou te levar pro lago doce Guaíba.    
É bom! Vem experimentar o lago doce da vida.       
Vem comigo morar do lado do lago doce da vida.   

Os meus olhos campereando o mergulho dos luzeiros
Como fossem longos cabelos do amor de minha vida.
Num olhar de travessia vejo acenderem as luzes
Da grande mãe que de longe ainda vigia a filha já bem crescida.
Neste espelho do firmamento, aquaplana meu pensamento;
Chapéu, bombacha e lenço, meu sagrado paramento,
Atavio com que apresento no ritual dos elementos
A oferta do ensinamento que tomei dos estropios.