BOI PINTADO (Juvenal Dal Castel)

Eira! Boi Pintado!
Oh! Boi, você foi enganado.
Logo depois, de ser sacrificado,
Você, meu boi, servirá de oferenda no altar dos convidados,
Que vorazes comerão alvoroçados.
Ninguém levou em conta as horas do arado.
Pedrinho, ainda menino, lhe tinha uma grande amizade.
Alisando o pelo daquele enorme pescoço,
O pasto fresco no cocho para o pequeno
Rendia um grande abraço.
Mandaram Pedrinho longe pra montanha
Feito monge retirado.
Cientes da gravidade, trataram de dar um sumiço,
Queimando o couro e os chifres pra não ser identificado.
Uma imensa nuvem de fumaça desenhou no céu
O tamanho da crueldade.
Era, Boi Pintado!
Vem, Vem ,Boi! Vem comer teu pasto.
Ao silêncio Pedrinho entendeu o recado.
Se escondeu no mato chorando triste,
Sem que ninguém apagasse do coração
O braseiro daquela mensagem.
Amigo virou pastagem da volúpia inconsciente.
Pedro vive calado, quase não fala mais com gente.
Pintado não lhe sai da mente, e, desde então,
Até hoje, só come comida de gado.
Era, Boi Pintado!